Espiral deflacionária é principal causa da retração econômica japonesa
O governo do Japão divulgou nesta segunda-feira, 14 de fevereiro, o balanço econômico de 2010 e confirmou a perda do posto de segunda maior economia mundial para a China. De acordo com dados oficiais, o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão em 2010 ficou em US$ 5,474 trilhões. Já a China fechou o ano com um acumulado de US$ 5,8786 trilhões.
A queda nas exportações e no consumo interno, desencadeada pela recessão de 2008/2009, prejudicou o desempenho do Japão. Já a China teve excelente desempenho no setor manufatureiro.
Porém, a explicação para os problemas na economia japonesa não é tão simples. Desde o início da década de 90, depois da bolha imobiliária japonesa, a economia do país enfrenta seguidas deflações (redução de preços).
Os preços caem num ritmo lento, quase imperceptível, porém contínuo. O que parece bom para os consumidores num primeiro momento é ruim para a economia. Sabendo que os preços ficarão mais baixos no futuro, os japoneses adiam as compras. Então, as empresas vendem menos, reduzem salários e não contratam.
Resultado: a população tem menos dinheiro para comprar, a economia fica estagnada e o país não cresce. É o que os economistas chamam de “espiral deflacionária”, uma bola de neve que pode esmagar a economia do país.
Segundo os dados divulgados pelo governo, a economia japonesa teve uma retração de 1,1% na taxa anualizada nos três últimos meses de 2010. O crescimento recuou 0,3% em relação ao trimestre anterior. Foi a primeira vez, em quatro trimestres, que a economia registrou uma contração. Assim, o PIB anual teve expansão de 3,9%.
O ritmo de recuperação do Japão foi lento demais para segurar a posição de segunda maior economia mundial, posto que o país ocupou por mais de 40 anos. Mas o governo diz que o fato não abala a confiança dos japoneses.
“Não estamos competindo por rankings, mas trabalhando para melhorar a vida dos cidadãos”, disse o ministro de Política Econômica do Japão, Kaoru Yosano.
Yosano afirmou ainda que o crescimento chinês é uma boa notícia não só para o Japão, mas para os vizinhos asiáticos. “Isso [o crescimento da China] pode ser a base de um desenvolvimento da economia regional, ou seja, da Ásia Oriental e do Sudeste”, sugeriu.
A China é atualmente o principal parceiro econômico do Japão. Empresas de eletrônicos como a Sony e fabricantes de carros como a Honda e a Toyota ganham cada vez mais espaço no gigante mercado chinês.
O índice de crescimento da China gira em torno dos 10% há alguns anos. Se o ritmo continuar assim, analistas dizem que o país asiático tomará o posto dos Estados Unidos de líder mundial em aproximadamente uma década.
A renda per capita dos japoneses, porém, ainda supera a dos chineses. Os chineses têm ganho anual de cerca de US$ 3,6 mil, enquanto os japoneses contabilizam uma renda quase dez vezes maior.
Com informações da Agência Brasil
Fonte: Salvador Diário